“A COP30 é uma Farsa”: Por que Indígenas Estão Ocupando o Evento em Belém

Enquanto líderes mundiais discursam na "Blue Zone", grupos Munduruku e do Baixo Tapajós bloqueiam acessos, denunciam a "propaganda verde" e exigem o fim da Ferrogrão. Entenda a polêmica.

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Belém se tornou o centro do mundo para as discussões climáticas, mas o clima esquentou de verdade foi do lado de fora dos pavilhões. Imagens de líderes indígenas bloqueando os acessos principais da COP30 tomaram a internet nos últimos dias, com um grito que ecoou mais alto que muitos discursos oficiais: “A COP30 é uma farsa!”

Enquanto diplomatas e empresários discutem o futuro do planeta dentro da luxuosa “Blue Zone”, os povos originários da Amazônia protestam do lado de fora contra o que eles classificam como uma “propaganda verde falsa” do governo.

Mas o que está por trás dessa revolta? O que levou os guardiões da floresta a se oporem ao maior evento climático do mundo?

O Estopim: A Ocupação da Blue Zone

A tensão escalou na última terça-feira (12 de novembro). Lideranças dos povos Munduruku e do Baixo Tapajós ocuparam o acesso principal ao evento, pegando a organização de surpresa. Um vídeo mostrando os indígenas gritando “A COP30 é uma farsa!” viralizou rapidamente, acumulando milhares de visualizações.

O buzz foi imediato. No X (antigo Twitter), o assunto explodiu. Posts como o da usuária @FtimaPesso2719, defendendo a soberania amazônica, alcançaram mais de 7 mil curtidas, enquanto o perfil @coletivojuntos trazia imagens ao vivo da ocupação, engajando outros milhares de usuários.

O Que Eles Realmente Exigem?

O protesto não é vago. As lideranças indígenas apresentaram uma lista de demandas claras e urgentes, que, segundo eles, provam a contradição do discurso oficial do governo.

Eles exigem:

  • A demarcação imediata de seus territórios, que continua parada.
  • O fim imediato do projeto da Ferrogrão, uma gigantesca ferrovia planejada para rasgar a floresta e seus territórios.
  • O fim dos planos de privatização e exploração de rios vitais como o Tapajós, Tocantins e Madeira.

A denúncia é simples: não adianta discursar sobre “bioeconomia” e “floresta em pé” para o mundo, enquanto no “mundo real” o governo continua avançando com projetos que ameaçam seus lares.

A Pressão Continua

A ação não foi isolada. Na quinta-feira (14/11), os grupos voltaram a bloquear os acessos, reforçando a denúncia contra a “propaganda verde”.

Para completar, na sexta-feira (15/11), a Marcha Mundial pelo Clima reuniu milhares de pessoas nas ruas de Belém. O ato contou com a presença de ativistas e figuras políticas, como a deputada Luciene Cavalcante, mostrando que o descontentamento vai muito além dos portões da “Blue Zone”.

O episódio expõe a maior contradição da COP30: a dificuldade de alinhar os discursos climáticos globais com as ações de desenvolvimento local. Para os povos indígenas, a luta pelo clima não é um debate para 2050, é uma batalha pela sobrevivência que está acontecendo agora, no seu quintal.

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O que é a Ferrogrão?

O Pivô da Disputa

A Ferrogrão (EF-170) é o projeto de uma gigantesca ferrovia com mais de 900 km de extensão, planejada para ligar o estado do Mato Grosso aos portos fluviais do Pará. O objetivo é baratear o escoamento de soja e milho para exportação. Os povos indígenas, como os Munduruku, denunciam que o traçado original passa por cima de seus territórios (ainda não demarcados) e de unidades de conservação, o que causaria um desmatamento irreversível e violaria seus direitos constitucionais.

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