Enquanto os discursos oficiais e a mídia tradicional focam nas complexas negociações climáticas, o assunto que realmente dominou as redes sociais sobre a COP30 é bem mais direto (e caro): o preço da comida.
Não se fala em outra coisa. A percepção de que o evento se tornou uma “bolha de luxo” inacessível para o povo local explodiu na internet, com denúncias de preços inflacionados para itens básicos, como um almoço (o famoso “PF”) e até garrafas de água.
A revolta não é pequena e está ofuscando as pautas oficiais, mostrando um enorme distanciamento entre a organização do evento e a realidade brasileira.
O “PF” de Três Dígitos e o Vídeo Viral
O estopim da revolta foi um vídeo do perfil @amazonianoar, que viralizou rapidamente e acumulou milhares de curtidas. Ele mostrava as opções de almoço caríssimas dentro da Cúpula da COP30, com valores que chegavam a assustar.
O que tornou o vídeo ainda mais poderoso foi o contraste: o criador de conteúdo saiu da “bolha” do evento e, a poucos metros de distância, mostrou opções de comida local, saborosas e por uma fração do preço. Isso só reforçou a percepção de que o evento foi planejado sem pensar na população, gerando uma onda de indignação.
O Sentimento no X (Twitter): #FLOP30
Essa revolta com os preços se somou às críticas dos protestos indígenas, e o resultado foi um banho de água fria na imagem do evento. Uma análise dos principais posts sobre o evento no X (antigo Twitter) mostra um sentimento majoritariamente crítico (cerca de 60% dos top posts).
Hashtags como #FarsaCOP30 e a nova #FLOP30 dominaram as discussões, usadas por usuários para reclamar não só dos preços, mas da falta de organização e do que chamam de “elitização” de um debate que deveria ser popular.
Tentativas de criar um clima de celebração, como uma projeção mapeada no Congresso Nacional, acabaram tendo pouquíssima repercussão perto do “escândalo dos preços”.
Duas COPs, Duas Realidades
No fim, a COP30 em Belém parece refletir duas realidades paralelas. De um lado, a mídia tradicional e os canais oficiais focam nas negociações formais, prevendo avanços nos acordos climáticos até o fim da cúpula.
Do outro, o público nas redes sociais (e nas ruas) vive uma realidade de preços impraticáveis, protestos e uma profunda sensação de que o evento falhou em “conversar” com o povo. É a tensão clássica entre as ambições climáticas no papel e a dura realidade política e econômica do chão da fábrica.









